Assassinatos de líderes sociais contrastam com processo de paz

O processo de paz vivido na Colômbia no último ano, com o acordo entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), contrasta com o alarmante número de 186 líderes sociais assassinados em menos de um ano.

Segundo números oficiais da Defensoria Pública colombiana, 186 líderes foram mortos entre janeiro de 2016 e julho de 2017, pelo menos 52 deles na primeira metade deste ano. Mas os ataques não pararam por aí: a última morte com esse perfil ocorreu na noite do dia 26 de novembro.

A vítima foi o líder social em processos de restituição de terras Mario Castaño Bravo, assassinado a tiros por homens armados que entraram na sua casa, no departamento (Estado) de Chocó, no noroeste colombiano. Segundo a Defensoria, Castaño Bravo era vítima de deslocamento forçado pelo conflito interno no país, e auxiliava outras pessoas em processos de recuperação de terras.

O processo de paz entre o governo do país e a antiga guerrilha das FARC teve início emm 2012, mas o cessar fogo bilateral definitivo só se alcançou em agosto de 2016 e a assinatura definitiva do acordo, em novembro do mesmo ano.

A maioria dos homicídios de líderes sociais, ainda de acordo com a Defensoria, ocorreu nas zonas que eram de influencia das FARC e se tornaram território de disputa de outros grupos armados.

Apesar de que o acordo de paz ter determinado a instalação de uma Comissão de Garantias de Segurança, o aumento do contingente policial em 65 mil agentes anunciado pelo governo não impediu que cerca de 500 líderes sociais e defensores de direitos humanos recebessem ameaças.

Essas ameaças são também um risco para a construção da paz e o fim de um ciclo de violência na Colômbia, segundo Reinaldo Villalba, representante do coletivo de advogados José Alvear Restrepo, uma ONG da área dos direitos humanos.

“Se os ciclos de violência continuam, a construção da paz vai ser impossível. Não podemos falar de paz só com o silêncio dos fuzis, ela deve estar acompanhada da democracia, sem que se tenha medo a ser assassinado”, afirmou.

No fim de outubro, o presidente Juan Manuel Santos afirmou que a maioria dos homicídios registados tinham ocorrido por “razões pessoais”. Outros, segundo o presidente, foram resultado da ação das chamadas “bandas criminales” (crime organizado), da guerrilha do ELN (Exército de Libertação Nacional), que está em negociações de paz com o governo, e uma “baixíssima” participação da força pública (de 5%).

Villalba discorda de Santos, e afirma que apontar razões pessoais para os homicídios é criar um estigma que aumenta o risco para os líderes. O advogado responsabiliza o Estado, por ação ou omissão. “Não há vontade política para descobrir as estruturas criminosas, ainda existem grupos paramilitares e o Governo não admite, não quer ver”, disse.

Os paramilitares são grupos armados criados na segunda metade dos anos 1970, e que receberam apoio do Estado no combate às guerrilhas. A partir dos anos 1980, financiaram-se do tráfico de drogas e exerceram influencia sobre diversas áreas do país. Em 2005, uma lei permitiu a desmobilização desses grupos, mas houve dissidências que seguiram ativas, atualmente denominadas “bandas criminales”.

 

 

 

Fonte: Lusa

Categorias: DESTAQUE,Internacional

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