Puigdemont desistiu? “Acabou. Sacrificaram-nos”, afirmou numa mensagem

canal de televisão espanhol Telecinco divulgou uma troca de mensagens entre Carles Puigdemont e Antoni Comín, ex-conselheiro do governo regional da Catalunha e membro do partido pró-independência ERC. Nesta conversa, Puigdemont parece mostrar-se conformado com a atual situação. Afirma que foi sacrificado pelos seus e deixa a entender que pode deixar cair as suas pretensões de voltar a liderar a Generalitat catalã.

 A conversa entre Puigdemont e Comín tem por base uma recente entrevista de Joan Tardà, do ERC, ao La Vanguardia e na qual o deputado do ERC admite que pode ser necessário sacrificar Puigdemont, sugerindo que o Juntos pela Catalunha deve propor outro candidato para a liderança da Generalitat.

“Suponho que tenhas claro que isto acabou. Os nossos sacrificaram-nos, pelo menos a mim. Vocês serão conselheiros (espero e desejo), mas eu já estou sacrificado como tal como sugeria o Tardà”, pode ler-se numa das mensagens enviadas por Puigdemont a Comín. O antigo presidente da região da Catalunha referiu ainda o “triunfo de Moncloa”, a sede do governo espanhol.

Esta mensagem que deixa no ar a ideia de que o antigo líder catalão teria deitado a toalha ao chão foi divulgada pela Telecinco praticamente na mesma altura em que Puigdemont publicou um vídeo no YouTube, no qual apelava à unidade independentista e onde reafirmava que não havia nenhum outro candidato que pudesse assumir a liderança do governo regional catalão que não ele.

Noutra mensagem enviada a Comín, Puigdemont esperava que a sua renúncia servisse para libertar os ex-líderes catalães que ainda estão detidos, Oriol Junqueras, ex-vice-presidente da Generalitat, Joaquim Forn, ex-ministro do Interior, Jordi Sànchez, antigo líder da Assemblea Nacional catalã e Jordi Cuixar da Omnium Cultural.

“Só espero que seja verdade e que graças a isto possam sair todos da prisão porque se não for assim, o ridículo é histórico”, escreveu Puigdemont, que indicou a Antoni Comín que se iria dedicar a limpar a sua honra.

“Não sei quanto me resta de vida (espero que muita). Mas vou dedicá-la a pôr em ordem estes dois anos e a proteger a minha reputação. Causaram-me muitos danos, com calúnias, rumores, mentiras, que aguentei por um objetivo comum. Isto terminou e vou dedicar a minha vida à defesa própria”.

Puigdemont e Comín confirmam as mensagens

Tanto Carles Puigdemont como Antoni Comín já reagiram à divulgação das mensagens e confirmaram a autenticidade da mesma. Ambos criticam a Telecinco, já que se tratava de uma conversa privada. O ex-líder catalão assume que também tem momentos de dúvida, mas que está pronto para continuar a sua luta pelos catalães.

“Sou jornalista e sempre entendi que há limites, como a privacidade, que nunca devem ser violados. Eu sou humano e há momentos em que também duvido. Também sou o presidente e não vou desistir nem vou voltar atrás, por respeito, agradecimento e compromisso com os cidadãos e o país. Continuamos!”, realçou no Twitter.

Categorias: DESTAQUE,Internacional

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